Sobre a terapia...


Como vocês sabem, estou fazendo terapia a um mês e meio. E é minha primeira vez na terapia. Nunca tinha achado que tava na hora de procurar alguém porque nunca tinha tido um motivo.

Eu sempre reagi com dor de estômago ao stress, principalmente ao stress emocional, como brigas ou tristeza, ou medo. Quando minha irmã operou o coração a 5 anos atrás, eu quase tive uma úlcera quando ligaram de madrugada dizendo que ela tinha tido uma complicação. Quase que fui parar no hospital de tanta dor que sentia. Quando meu pai ficou doente idem. No período final do meu namoro com o ex, vááááárias crises de gastrite enquanto a situação não se resolvia. Quando as coisas não iam bem com o cafa também. Vestibular e prova do mestrado idem! Situações de perigo como assalto ou pânico por qualquer outro motivo, idem.

Decidi entrar na terapia na semana em que eu não estava bem com namorado. Só o fato de estar na situação foi o suficiente pra eu parar de comer, ficar com uma dor de estômago ininterrupta por 5 dias, vomitar qualquer coisa que eu colocasse pra dentro, uma suuuper enxaqueca, e no auge da tristeza até febre eu tive.

No dia da briga em si tudo isso veio ao quadrado. E aí quando as coisas se resolveram tudo passou. Foi como se alguém tivesse desligado o interruptor que comandava tudo. Porque em questão de meia hora eu fiquei bem melhor. E no final do dia era como se eu não tivesse tido nada. Pra mim isso foi o limite.

Percebi que eu não queria mais ser uma pessoa tão fisicamente susceptível ao stress emocional.

Biologicamente falando existe uma explicação pra isso. Em situações de stress a pessoa fica ansiosa e libera uma sobrecarga de adrenalina na corrente sanguínea.


adrenalina


A adrenalina ou epinefrina é um hormônio, derivado da modificação de um aminoácido, secretado pelas supra-renais, assim chamadas por estarem acima dos rins. Em momentos de "stress", as supra-renais secretam quantidades abundantes deste hormônio que prepara o organismo para grandes esforços físicos: quando lançada na circulação, devido a quaisquer condições do meio ambiente que ameacem a integridade física do corpo (fisicamente ou psicologicamente, como por exemplo o medo), a adrenalina aumenta a frequência dos batimentos cardíacos e o volume de sangue por batimento cardíaco, eleva o nível de açúcar no sangue, minimiza o fluxo sanguíneo nos vasos e no sistema intestinal enquanto maximiza o tal fluxo para os músculos voluntários nas pernas e nos braços e "queima" gordura contida nas células adiposas. Isto faz com que o corpo esteja preparado para uma reação, como reagir agressivamente ou fugir, por exemplo. A adrenalina também estimula a liberação de ácido clorídrico pelas células do estômago, aumentando assim a acidez do meio.

A gastrite é provocada pelo tal aumento da acidez.

Mas por mais biológico que isso seja não é normal reagir assim ao stress. E aí eu comecei a me preocupar em como poderiam ser as minhas reações em momentos futuros de stress como a defesa da minha tese ou a morte dos meus pais.

Vocês podem dizer que pensando assim estou sendo pessimista. Mas não. Estou sendo apenas realista. Imagina a cena: defesa de tese. Tudo lá pronto, apresentação preparada, banca escolhida. Família, amigos, todos lá pra me apoiar. E eu? Ah.. eu com uma bolsa de soro na veia tendo que apresentar a dissertação e receber um omeprazol intravenoso ao mesmo tempo... lindo isso, pra não dizer o contrário né?! Rs



"vai uma infusão IV aí?"



Eu acho melhor pro mundo que eu seja uma pessoa que nas situações de stress reaja com uma dor de estômago. Imagina se eu fosse uma dessas que surta e bate nos amigos ou sai quebrando tudo de dentro de casa? Muito pior... mas ter dor de estômago não é legal. E por mais habitual que seja também não é normal.

E aí eu decidi que entraria na terapia.

Aparentemente tem dado certo. Desde que entrei eu não tive mais nenhuma crise de dor de estômago. Mas eu também não tive mais nenhuma situação de stress emocional grave. Tem também o fato de que além da terapia, eu também já tinha decidido que não iria me deixar abalar tanto por certas coisas.

Mas é aquilo: terapia é uma coisa longa. Mais longa do que tratamento antifúngico.. rs Vamos ver como estarei daqui a alguns meses.. rs

4 comentários:

Patricia disse...

eu acho que você vai estar ótima daqui a alguns meses, e reeducada também. lidar com situações assim também não são o meu forte... affe ser uma pessoa adrenérgica é difícil! rs

:*

cris disse...

Putz!!
"uma bolsa de soro na veia e omeprazol IV...!" durante a defesa é sempre uma possibilidade pra nós.hehehehe, tamanho é o estresse que estamos sujeitas neste período...
Mas,fica tranks q vai dar td certo!hehehe
bjoks

vida cotidiana disse...

Já fiz terapia 2 vezes, saio sempre que acho que as coisas estão no lugar. Depois de um tempo, a bagunça começa outra vez e volto. Bem no momento estou de férias de terapia. Mas no todo adoro!!!

Ana disse...

Várias coisas pra te falar...
Terapia nem sempre é uma coisa longa! Existem técnicas curtas tb! Ambas são comprovadamente eficientes e, o mais legal é que, embora a gente pense que os efeitos demoram, eles são imediatos quando o paciente se propõe de fato a FAZER TERAPIA (bem diferente de IR à terapia, né?)

Vc tem TODA a razão e, bato palmas pela sua iniciativa! Somatizar, ou seja, "descontar de forma real no nosso corpo" não é legal! O processo é biológicamente comprovado como vc bem explicou, mas a reação diante de uma mesma causa pode ser exacerbada por um pequeno desequilíbrio químico do SNC ou pelo emocional. Certeza de que vc está no caminho certo!!! Parabéns!!!

Por fim, uma coisinha pra vc pensar...
Vc disse q tem dado certo, mas que não passou mais stress...
Vejamos... TPM + ausência de carbo + professor pé no saco = stress;
Noite mal dormida por causa de trabalho e, apreensão por causa de trabalho + estudo = stress!!!
A terapia tem o efeito imediato de amenizar as coisas, Ka...aquilo que antes te causaria stress com certeza, agora, pra vc, parece estar sendo encarado como "uma dificuldade comum ao dia - a - dia das pessoas".
Parabéns, viu???
beijão